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Aumento do preço dos insumos da ração ajuda a explicar alta no preço do leite no Paraná

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Estiagem prejudicou produção e reduziu oferta de leite Estiagem reduziu produção de leite e preços dispararam
Bem cedinho, aquele café com leite ou iogurte não pode faltar no café da manhã para muita gente. O consumo desses alimentos aumentou durante a pandemia, enquanto a produção diminuiu. E esse é um dos motivos para o leite e os derivados estarem entre os itens que mais subiram de preço ao longo de 2020.
Em um supermercado de Ponta Grossa, a caixinha está custando quase um real a mais que em janeiro. Por causa desse aumento, o leite longa vida deixou de ser a primeira opção do seu Renê, que acabou se acostumando com o de pacotinho. “Para nós é mais interessante o leite de pacote, porque é bem mais em conta, acessível né?”, conta o aposentado Renê Lewandowski.
O dono do mercado colocou a variação do preço na planilha, e não gostou do resultado.
“De janeiro para cá teve um reajuste em torno de 25 a 30%, e o leite é uma coisa que é um gênero de primeiríssima necessidade né? Hoje ele é o segundo para o terceiro produto mais vendido dentro da loja” conta o empresário Marcos Martins.
Aumento do preço dos insumos da ração ajuda a explicar alta no preço do leite
Reprodução/RPC
O aumento impactou no orçamento da Patrícia, que tem criança em casa.
“Subiu muito o leite mas, que nem diz, se a gente precisa tem que tirar de alguma coisa pra poder colocar aquilo que é mais essencial dentro da casa, o que a gente precisa mais consumir. Tem que dar um jeito, a criança não espera e a gente sabe a importância que o leite tem para a saúde. Você vai fazer um bolo e vai leite. Tudo o que vai fazer, uma sobremesa, vai leite”, conta a autônoma Patrícia Rosa de Jesus.
Se antes o leite já estava entre os produtos mais procurados nessas prateleiras, em 2020 ele ganhou ainda mais espaço nas mesas das famílias. Com as crianças mais tempo em casa, e o dinheiro do auxílio emergencial do governo circulando, a venda de produtos lácteos também aumentou.
Segundo os economistas, esse é um dos fatores que ajudaram a elevar o preço do leite, queijos e outros derivados. Entre janeiro e dezembro o leite longa vida subiu 37,6%, de acordo com a Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento. Mas toda essa variação no mercado leiteiro foi motivada ainda por outros vários acontecimentos de um ano totalmente atípico.
Em 2020, o Paraná enfrentou a estiagem mais longa da história. O estado chegou a registrar o índice de seca extrema, que antes só tinha acontecido no nordeste do país. A falta de chuvas atrapalhou o plantio e o desenvolvimento das pastagens e encareceu o custo da alimentação do rebanho. O produtor recebeu mais, mas também precisou gastar mais com ração, que leva soja e milho: grãos com preços regulados pelo mercado externo.
Somado a isso, a gente ainda tem uma alta muito significativa no custo de produção com a alimentação da vaca leiteira. O aumento da soja que se elevou de janeiro a novembro em torno de 89%, e o milho 72% encarecendo a alimentação da vaca e fazendo com que produtores ate diminuíssem a produção.
Outro fator foi um aumento das exportações esse ano pelo menos até setembro e uma redução nas importações. Só para a China, as exportações brasileiras se elevaram 27% no primeiro semestre.
Em uma propriedade, que já tem mais de 50 anos de atividade leiteira, a falta de água foi resolvida com a implantação de um poço artesiano. Um refresco para as 131 vacas que produzem 4 mil litros de leite por dia.
Mas, para manter toda essa produção, a Jussara precisou encarar o aumento dos gastos com a ração, que ficou 50% mais cara.
“O trato dos animais ficou muito mais caro. Foi o maior percalço este ano. A gente tem o desequilíbrio entre o custo da nossa produção e o custo do grão. O fundamental do trato do gado é a soja e o milho. E aí dar de comer para a vaca em dólar e vender o leite em real é um desequilíbrio muito grande, mas a leiteria sempre foi oscilatória.” conta a pecuarista Jussara Bittencourt.
Por serem acostumados com essa oscilação, os produtores de leite apostam no investimento em estrutura e tecnologia para enfrentar esses desafios.
“Hoje o leite é uma atividade que exige que você tenha uma boa tecnologia na fazenda e que vc tenha muita preocupação com custo, que tenha um pessoal capacitado e que trabalhe bem. Eu como consumidor sei que o leite subiu na prateleira, mas como produtor sei que os meus custos de planilha estão subindo também.” conta o pecuarista Paulo Procopiak de Aguiar.
Para encarar 2021, o Paulo percebeu que agora é a hora certa de investir na estrutura que vai atender a produção do plantel de gado simental holandês dele.
“Nós estamos intensificando, alterando o manejo e ampliando as instalações. Estamos fazendo uma nova sala de ordenha, com seus anexos, salas dos tanques, de espera, e fossa tanque para recebimento dos dejetos. Também estamos fazendo um investimento para mudar o nosso patamar de produção, preparando o gado, e o número de cabeças para que tudo isso de forma integrada funcione economicamente”, conta Paulo Procopiak de Aguiar.
Para o departamento de economia rural da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento, as perspectivas para o ano que vem são boas. Dois mil e vinte e um pode vir a ser o ano do equilíbrio entre produção e consumo, de leite mais barato na mesa do consumidor e de produção também mais em conta para o pecuarista.
É isso o que a Patrícia, que consome leite todo dia, tem como pedido especial para incluir na lista dos desejos de ano novo.
“Com certeza, pra 2021 não só o leite, mas a gente gostaria que vários itens que a gente usa dentro de casa possa abaixar né” conta a autônoma Patrícia Rosa de Jesus.
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Redação A Voz do Povo Do Oeste

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