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Especialistas: Mutação do coronavírus é normal, e vacinas ainda não preocupam

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Apesar de as vacinas desenvolvidas contra o novo coronavírus começarem a ser aplicadas em alguns países, sua eficácia voltou a ser questionada. Não por causa de sua qualidade, mas devido a possíveis mutações do vírus, identificadas principalmente no Reino Unido nas últimas semanas, e que já infectaram milhares de pessoas.

Mas será que essa nova cepa, como é chamada, é preocupante? As vacinas também previnem contra ela? O vírus é mais agressivo nesse caso? O TEMPO foi atrás de especialistas na área para responderem a essas questões. Em resumo, tudo isso ainda é muito novo, mas já era esperado, e precisa ser minuciosamente estudado.

Leia mais: Mutação do coronavírus que assusta Reino Unido e Europa já passou pelo Brasil

Segundo a infectologista Helena Brígido, porta-voz sobre Covid-19 da Associação Brasileira de Infectologia (ABI) no Pará, mutações são esperadas em qualquer tipo de vírus, ou seja, não seria uma exclusividade do coronavírus. “As mutações são como estradas. Os vírus mutam toda vez que eles estão em um ambiente em que eles precisam se alterar para sobreviver e espalhar, além de vários outros fatores”, disse.

De acordo com a médica, até o momento, não há comprovação científica de como essas mutações podem afetar na eficácia das vacinas e na severidade da doença. “O que nos deixa aliviados, se assim podemos dizer, é que até onde a gente sabe, qualquer vacina que vier será eficaz. Isso de acordo com os estudos que foram feitos até o momento”, explica.

“Ao que tudo indica, essas mutações podem contribuir para uma possível reinfecção. Mas ainda não se sabe se a doença será mais moderada, mais grave ou a mesma coisa. Provavelmente, terá o mesmo efeito. Quem já teve, teria os sintomas mais leves, e quem tem comorbidade, os sintomas mais graves, mas ainda é cedo para precisar isso”, comentou Helena.

A virologista e professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Betânia Paiva Drummond, corrobora essa opinião. Para ela, ainda é preciso haver e concluir estudos que indiquem o que essas mutações podem causar nos seres humanos.

“Mutação em vírus sempre ocorre, natural. Isso não quer dizer que elas vão resultar em um vírus mais perigoso ou que seja transmitido mais facilmente, pois nada disso foi provado ainda. O que os cientistas observaram é que há uma nova linhagem circulando, mas ainda não sabemos qual o impacto biológico disso”, afirmou.

“Pelo que foi analisado, parece que essa mutação não vai afetar a capacidade de as vacinas protegerem contra o coronavírus. Mas eu acho importante frisar: essa mutação é como outras que estão ocorrendo, pode ser um simples acaso, mas que ainda está sendo estudado”, completou.

Veja o que se sabe sobre a nova cepa do coronavírus

O infectologista Leandro Curi usou como exemplo a gripe H1N1, que ficou famosa no Brasil em 2009 após causar a morte de mais de 2.000 brasileiros e ainda ser uma doença desconhecida pela maioria. De acordo com o médico, as mutações também acontecem com esse vírus, e por isso, as vacinas vão se adaptando.

“O vírus é mutante por natureza. É como se eles mudassem de roupa o tempo todo, devido a eventos aleatórios. O H1N1, por exemplo, muda todo ano, e por isso temos que ir mudando a vacina também. A imunidade do ano passado não é a mesma desse ano”, comentou.

“No caso do coronavírus, era bem plausível que isso acontecesse uma hora ou outra. Mas, por enquanto, a vacina não deve mudar, até porque vai depender de onde o vírus mudou. Foi na parte que o liga ao ser humano? Se sim, até podemos ficar preocupados, pois pode ser que a vacina de hoje não contemple. Mas isso ainda precisa de estudo”, disse.

Isolamento deve continuar

A pandemia ainda não chegou ao fim. Os últimos números do Ministério da Saúde mostram que o Brasil tem mais de 7,2 milhões de casos confirmados da doença e aproximadamente 187.000 mortes em decorrência da Covid-19. Em consonância, a ocupação de leitos também tende a continuar crescendo.

Helena Brígido afirma que é preciso continuar tendo atenção com relação à prevenção, principalmente neste momento de fim de ano, já que a tendência é haver um relaxamento por conta das festas. “Nós precisamos ficar em vigilância sempre. Se tiver reunião, façam só com as pessoas que moram na sua casa. Se tiver gente de fora, mantenha a distância, principalmente na hora das refeições, onde objetos são trocados”, orientou a infectologista.

“Com relação às compras de Natal, priorize comprar pela internet, em lugares que entregam em sua casa, ou então em lojas perto de onde você mora. Não dá para a gente brincar. Não precisa ter sintomas para transmitir, isso é um fato que precisa ser dito”, completou.

Leia mais: Mesmo com nova cepa, Brasil não planeja restringir voos do Reino Unido

Sobre viagens, sejam elas de curta ou longa distância, a recomendação para se evitar continua. “Estamos em um momento ruim em todo lugar, seja na Europa, nos Estados Unidos ou no Brasil. A pandemia surgiu aqui após uma pessoa voltar da Itália assintomática. Esse deslocamento facilita muito pro vírus”, explica Leandro Curi.

“Quando a gente fala sobre coronavirus, tudo é muito novo. Tudo é no campo do ‘talvez’. Vai ter reinfecção? Talvez. Vai ter mutações? Talvez. Então é preciso se prevenir, antes de tudo”, concluiu o infectologista.

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Redação A Voz do Povo Do Oeste

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